Reflexo da Família Divina

O cientista social declara que o modo de referir à divindade em termos familiares é um reflexo de nossas relações de família, ou seja, chamamos Deus de Pai Celestial porque temos nosso pai terreal. Tal declaração se consolida no entendimento de que o ser divino é reflexo da família humana. 

A Bíblia ensina o contrário, afirmando que nossas relações familiares é que são reflexo da família divina. Primeiro esta, depois aquela; antes, a existência da família divina, em segundo plano, a família humana. 

Alguns aspectos da família divina podem ser destacados, a fim de serem refletidos em nossa família. 

União - Ao pedido de Filipe para que Jesus mostrasse o Pai, Jesus respondeu nos seguintes termos: "Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?" (João 14.10). Tamanha é a união entre o Pai e o Filho que, ao ver um, logo se identifica o outro, reforçado no dito de Jesus: "Quem me vê a mim vê o Pai" (João 14.9). 

Esta união se consolida em verdadeira unidade, onde o Filho reconhece: "Eu e o Pai somos um" (João 10.30). É notável que, tomando por base a unidade no ser divino, haja uma convocação para a Igreja também demonstrar unidade, conforme a própria oração de Jesus: "Que todos sejam um; e, como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós" (João 17.21). 

Na era da alta tecnologia e da plena informação, como é triste observar que nos achamos orfanados de nossos familiares até mesmo dentro de nossas casas. Como reflexo da família divina, precisamos cultivar a união, buscando a companhia um do outro, visando a unidade de propósitos, deixando de lado todo e qualquer gesto que venha provocar o afastamento mútuo. 

Comunhão - Esta expressão encerra o sentido daquilo que é comum entre duas ou mais pessoas. Ao falar da comunhão trinitária, nos referimos aquilo que é comum ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. A divindade lhes é comum, pois são o Único e Trino Deus; também lhes são comuns os atributos divinos, o amor, a bondade, a justiça, e muito mais; ainda lhes é comum a criação da humanidade, pois o Trino Deus deliberou da seguinte forma: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança" (Gênesis 1.26). 

Em nossos lares, vemos cada vez mais seus membros alienados uns dos outros. No passado se dizia que, pelo menos, o sobrenome era comum, hoje, nem isto mais. O lazer e a recreação não são mais comuns, o orçamento é individualizado, os planos são tomados à revelia um do outro, não há comunicação para que se estabeleça um diálogo mínimo no interesse de coisas que sejam comuns. Trata-se de um triste momento para nossas famílias! 

Revelação - "Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai; e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar" (Mateus 11.27). Tais palavras servem de prelúdio ao gracioso convite para que deixemos o nosso fardo. 

Em outro lugar, a Palavra registra: "Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito que está no seio da Pai, é quem o revelou" (João 1.18). Indiscutivelmente, Cristo é revelação máxima da divindade, conhecê-lo é conhecer verdadeiramente a Deus. 

De que forma este aspecto se aplica às nossas relações familiares? Estaríamos falando de genética, de DNA, de semelhança física? Ou ainda, de modos de agir, gesticular, falar? Com certeza, isto também. Mas muito mais no sentido de nossa missão como família. 

A partir de nossa vida em família, estamos ampliando o horizonte do Reino de Deus, contribuindo para o crescimento do Evangelho, tornando o nome do Senhor conhecido de todos os povos, revelando o Salvador. O Filho nos revelou o Pai e também nos incumbiu de tornar o seu poder conhecido mundo afora. 

Se compreendessemos o alcance de nosso papel como famílias na extensão da obra missionária, efetivamente emprestaríamos um colaboração inestimável na expansão da obra de Cristo em toda a face da terra. Ainda é tempo! 

Rev. Juarez Marcondes Filho