Santidade no Lar

"Eu e a minha casa serviremos ao Senhor" (Josué 24.15). 

O Livro de Josué relata o ingresso de Israel na Terra Prometida; Moisés foi o líder da saída do Egito e da condução por todo o deserto, Josué foi constituído em sucessor de Moisés com a incumbência de conquistar a região para que o Povo de Deus ocupasse finalmente seu espaço conforme a promessa divina. 

A declaração que destacamos é sobjejamente conhecida, cantada em verso e prosa, recitada em chamada de Escola Dominical, pronunciada de memória pelos crentes em geral. Ela traz consigo uma declaração formal e definitiva da tomada de posição que Josué com sua família fizeram, qual seja, a de servir ao Senhor. 

Este pronunciamento não é feito de maneira rotineira ou vulgar, mas é fruto de uma decisão sopesada, plenamente refletida e que, ao fim, resultou numa escolha muito clara. Israel adentrava seu espaço, minado por toda a sorte de paganismo, de cultos e ritos que serviam a deuses feitos pela mente dos homens; não poucos israelitas se achavam inclinados a servir a tais deuses; tomando por base a opinião pública, não seria difícil imaginar a pressão que Josué sofreu. Mas ele não se deixou levar por esta influência, ao contrário, assumiu a postura de influenciar, formalizando seu compromisso nestes termos: "Eu e a minha casa serviremos ao Senhor"

No princípio deste Livro, Josué convoca Israel à santidade, conclamando o Povo a atravessar o Rio Jordão, nos seguintes termos: "Santificai-vos, porque amanhã o Senhor fará maravilhas no meio de vós" (Josué 3.5). Esta convocação e a declaração doméstica de Josué no final do Livro se acham em perfeita consonância, pois ambas refletem a necessária santidade que cabe ao Povo do Senhor. 

Separado para Deus. Primeiramente a ideia de santidade está vinculada ao sentido de algo que é separado a um propósito especial. Chamamos de "santo" aquele ou aquilo que não deve ter outro objetivo, se não a exclusividade para o que é separado. 

O Povo de Deus é um povo santo, não pela qualidade de suas ações, pela índole elevada que demonstra, pela intensidade de seu labor religioso, mas, sim, porque foi separado dentre as nações para servir a Deus. "Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos separei dos povos ... Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus" (Levítico 20.24, 26). 

Santidade no lar tem a ver com a consciência de que fomos separados das famílias em geral para o Senhor, pertencendo exclusivamente a ele, ao seus interesses, aos propósitos que ele detém para conosco. Não podemos servir ao Senhor e servir aos deuses dalém dos Eufrates e do Egito, bem como dos amorreus (Josué 24.14, 15). 

Consagrado ao Reino. A consagração ou sagração se constituía num ritual de completa entrega a que o sacerdote se submetia no objetivo de servir no Culto a Deus. Aqui, usamos a ideia de consagração em sentido mais amplo, e menos ritualístico, especialmente, aplicado ao ambiente da família. 

Um lar consagrado a Deus reconhece que seu propósito não se esgota na bênção nupcial, no batismo dos filhos, no costume de vir a Casa do Senhor regularmente, mas se estende por toda a vida da família, incluindo dons e talentos, tempo e dinheiro, planos e alvos, o presente e o futuro, tudo completamente consagrado ao Senhor. 

Dedicado à Causa. A santidade do lar pode ser aferida pelo alto grau de dedicação à Obra de Deus, no ambiente mais imediato e pelo mundo afora. Santo é o lar que não fica adstrito aos seus interesses particulares, mas tem a visão do Evangelho que deve ser proclamado a todas as nações (Mateus 28.19). Pais dedicados influenciam decisivamente a percepção de seus filhos a fim de igualmente dedicarem-se à extensão da Obra de Cristo. 

Para refletir: 1. Você já tomou a mesma decisão de Josué? 2. Debaixo de uma forte influência do presente século, como você deve posicionar-se na busca da santidade do lar? 3. Como família, há espaço para uma maior dedicação de tempo, recursos e oportunidades na Causa de Cristo? 

Rev. Juarez Marcondes Filho