Bem Imunizados

Os anticorpos têm a função de assegurar a defesa de nosso organismo. Cercados de vírus e bactérias por todos os lados, as imunoglobulinas agem a fim de evitar que venhamos a sucumbir; seu objetivo é gerar uma imunização natural, levando-nos a ser vitoriosos nesta batalha. A baixa imunidade é um campo aberto para que doenças tenham oportunidade de ganhar terreno em nosso organismo. 

Corporalmente. Com a expansão da Covid-19 nunca fomos tão devedores aos anticorpos como agora. Talvez, sem tomar conhecimento, poderemos ficar livres deste mal graças ao excelente grau de imunidade que temos. 

 Boa alimentação, prática de bons hábitos, exercícios físicos, acompanhamento médico regular, cronograma vacinal são decisivos para que nosso sistema imunológico cumpra bem seu papel e nos ajude a enfrentar doenças que, eventualmente, nos sobrevenham. 

Socialmente. Temos sido instados a vivenciar um isolamento como não havíamos experimentado até este momento; este afastamento a que fomos submetidos visa à não proliferação do coronavírus, que tem a faculdade de rapidamente se disseminar em aglomerados de pessoas. Cuidados especiais devem ser tomados com as faixas de risco, bem como com os profissionais da saúde. 

Mas nossa baixa imunidade social está em outra esfera. Muitos têm submergido nos meios digitais disponíveis e, infelizmente, o que se vê é a contradição da imunização social. "As más conversações corrompem os bons costumes" (I Coríntios 15.33). 

Se para termos maior imunidade no organismo precisamos atentar para medidas sérias de saúde, para nos vermos livres do vírus do ódio e libertos da bactéria da mentira não podemos nos alimentar da avalanche de maldades que transborda a cada minuto em nossos pequenos aparelhos de bolso. É triste afirmar, mas o coronavírus passa a impressão de ser tão dócil quando comparado à língua ferina de muitas pessoas (Tiago 3.1-12). 

Moralmente. Embalada pelo espírito da pós-modernidade, a imunidade moral do homem se acha muito afetada. Os preceitos morais que foram responsáveis pela construção de civilizações vêm sendo corroídos em seus fundamentos, fazendo prevalecer a noção do relativismo. 

Nada é mais absoluto, tudo depende do tempo e das circunstâncias; o que ontem foi ditado como norma, hoje já não tem mais valor; e o que hoje se acha elevado à condição de paradigma, amanhã já poderá ser destronado. Desta forma, não dispomos mais de referenciais seguros. 

Neste embalo, nos encontramos completamente vulneráveis, mais do que a da ameaça de um vírus que invade o planeta por inteiro. Até porque há empenho da ciência e da medicina, dos governos e dos empreendedores para que se chegue a uma cura e se encerre este ciclo devastador. 

No entanto, no que concerne aos valores morais se dá o oposto, pois, em amplo sentido, nem ciência, nem governo, nem sociedade, nem escola, estão trabalhando para modificar este estado de coisas. Ao contrário, em geral, estão sendo os difusores desta chamada "nova moral", que, na verdade, não passa da conhecida "velha imoralidade"

Espiritualmente. Os cuidados espirituais deveriam ser os primeiros em nossa vida e, infelizmente, os relegamos a um plano secundário. Talvez, nestes dias, eles tenham ganhado um lugar de maior destaque, afinal, percebemos a finitude de nossa condição terreal. 

A força espiritual de que carecemos advém da armadura de Deus (Efésios 6.10-20), capaz de nos imunizar contra as ciladas diabólicas que visam nos abater. Cônscios deste intuito maligno, tomamos doses bastante consistentes da Palavra de Deus e nos afadigamos na vida de oração, não abrindo o flanco para os ardis satânicos, ao contrário, mantendo-nos saudáveis em Cristo Jesus. 

Rev. Juarez Marcondes Filho