De Gênesis a Apocalipse

Tratando de começar e terminar (tema do mês), nada mais exemplar para se comentar que as Escrituras Sagradas, tanto mais, sendo hoje o Dia da Bíblia. O segundo Domingo de dezembro é separado para esta comemoração, em razão da fundação da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) nesta data, no ano de 1948, portanto, celebramos hoje os 71 anos da SBB. 

A Bíblia, como seu nome sugere, não é propriamente um livro e, sim, uma coleção de livros, sob a inspiração do Espírito Santo (II Timóteo 3.16), que segue uma ordem natural, do começo ao fim. É desafiante ler as Escrituras em sua inteireza, principiando pelas narrativas da Criação, prosseguindo pelo triste episódio da Queda do homem em razão do ingresso do pecado, e alcançar a inspiradora promessa da salvação, já anunciada nas primeiras páginas (Gênesis 3.15). 

A leitura isolada de textos esparsos não deixa de propiciar edificação ao crente, mas um estudo sistemático, dentro de uma visão panorâmica, oferece uma compreensão muito mais nítida dos caminhos do Senhor. Ademais, a dificuldade de entender determinadas porções é superada pelo conjunto da obra, resultando no aprendizado completo da Palavra de Deus. Assim, estimulamos todo crente a ler a Bíblia, começando no Gênesis e chegando ao Apocalipse. 

Alguns balizamentos auxiliam nesta preciosa tarefa, a fim de não esmorecermos no meio da jornada. Uma primeira informação é de capital importância e já foi aludida; o termo "Bíblia" é plural de "biblión" (gr.), que significa "livro"; portanto, Bíblia seria melhor traduzida como "livros" ou "coleção de livros", uma verdadeira "biblioteca"

Quem dá o tom de unidade é o Espírito inspirador, no entanto, não se pode desconsiderar o instrumento humano, ou seja, os autores que foram usados pelo Espírito para a composição das Escrituras. Cada um deles traz consigo sua bagagem cultural, sua experiência de vida, seu linguajar. Épocas, eventos, personagens se situam historicamente e precisam ser tomados em consideração. São dados que enriquecem nossa compreensão da Palavra de Deus. 

Outro aspecto fundamental em nossa trilha pela Palavra de Deus é o que tange aos temas tratados. Há um tema primordial que perpassa toda a Bíblia, a história da Redenção. A promessa da salvação em Cristo está anunciada no capítulo da Queda; Deus chama um povo, em Abraão, para ser o guia da Redenção a todos os povos (Gênesis 12.1-3); mesmo em meio a seus percalços é desta nação que vem o Salvador (Gálatas 4.4); agora, a proclamação da boa-nova deve alcançar todos os povos (Mateus 28.18-20). 

No entanto, quando examinamos as Escrituras, há temas específicos, que fluem do tema central, e merecem uma atenção particular: a Criação e a Queda, Israel e a Igreja, Regeneração e Santificação, Arrependimento e Fé, e por aí segue. É necessário observar qual assunto está sendo tratado em cada uma das passagens, para não nos confundirmos e para tirarmos melhor proveito da leitura e do estudo da Palavra. 

Uma última instrução ainda cabe, e diz respeito à centralidade das Sagradas Escrituras. Qual o eixo que traz unidade a literaturas tão diversificadas? Há um ponto de contato entre todos os 66 livros, organizados em 2 testamentos, escritos ao longo de mais de 1000, em pelo menos 2 idiomas, hebraico e grego, e ainda há algumas porções em aramaico? 

Sim. O centro das Escrituras é Cristo. Ele se acha no início de tudo, nada foi feito sem o seu concurso (João 1.3); ele é o descendente da mulher (Gênesis 3.15), o Grande Profeta (Deuteronômio 18.15-22), o Servo do Senhor (Isaías 53), o Verbo encarnado (João 1.14), aquele que voltará sem demora (Apocalipse 22.20). 

De Gênesis a Apocalipse nos deparamos com o Filho Unigênito, a Revelação máxima de Deus, o Evangelho da Graça, nosso bendito Salvador. Os Profetas vaticinaram sua vinda, os Apóstolos declararam que ele veio para edificar sua Igreja, a qual, somos nós. 

Rev. Juarez Marcondes Filho